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Cunha tornou-se conhecida pela cerâmica depois que um grupo internacional
de artistas aí assentou arraiais em 1975.
Porém já antes disso existia em Cunha, cerâmica, transportada
na tradição das olarias de tijolo e das paneleiras, estas
com herança que remonta à cultura indígena pré-europeia.
Hoje apenas uma paneleira continua a sua atividade com o barro em Cunha.
Dona Dita Olímpia, Benedita Olímpia de Abreu, nascida em
1912, beirando os 93 anos de idade prossegue "fazendo panela"
como ela diz. Surpreendentemente clara de espírito para a idade
avançada, determinada e cheia de brio na sua enorme modéstia
fala-nos do que foi a sua vida dedicada à cerâmica.
"92 e ainda tô trabalhando", nos diz na sua voz de terna
avózinha, a avó que todos gostaríamos de ter. E foi
com a avó que aprendeu aos 15 anos e para nunca mais parar, uma
vida para o barro. Morou quasi sempre na roça e só nos ultimos
20 ou 30 anos se mudou para a cidade. Teve 7 filhos, 3 ainda vivos. Não
tem continuadores. Uma filha começou a aprender mas desistiu, o
neto também. Fazia potes para a festa do Divino, para casamentos
e batizados. Nasceu em Jacuí-Mirim, município de Cunha.
Mas foi no Suridade que seu marido lhe construiu o forno.
Hoje moradora no bairro do Motor numa casinha de dois cómodos,
dois potes acabados de modelar descansam em cima do lava-louças.
Não tem atelier, este ícone da cerâmica cunhense.
As peças são queimadas graças à boa vontade
do ceramista Leí Galvão que também se encarrega da
colocação no mercado.
Conheceu na região todas as paneleiras do século passado,
Matilde Barnabé, Maria Boigi, Chica Pinta, Ritinha do Pernambuco
e a mais recentemente falecida, Dona Núncia de quem era amiga.
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